sábado, 27 de agosto de 2016

O Sucesso da Desordem Mundial das Olimpíadas

Por Alinne, Letícia e Vitor.


A Escola Inglesa explica o motivo das Olimpíadas serem uma desordem na vida social mundial que deu certo.

Criada na década de 1950, a Escola Inglesa é uma corrente que, em plena bipolarização do mundo, tenta reunir as mentes brilhantes inglesas da época, para dar ao seu país de origem força aos valores morais e culturais. Sendo as Olimpíadas um evento que reúne culturas, valores e política, é possível explicar com um estudo prévio da obra A Sociedade Anárquica de Hedley Bull, por quais motivos o evento realizado em 2016 foi uma desordem social mundial com base em três princípios citados pelo autor: vida, verdade e propriedade.
Primeiramente, é interessante ressaltar que o Brasil foi sede do evento realizado, sendo escolhido como tal em outubro de 2009 durante a 121ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional, em Copenhague, na Dinamarca e que nesse ano, o presidente regente era Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2009, o país começou o ano tendo reflexos do impacto da crise mundial e passou a se recuperar no terceiro trimestre do mesmo, vindo a crescer economicamente no ano seguinte.
Passada a confirmação do evento, ou melhor dos eventos – referindo, também, a Copa do Mundo FIFA 2014 – seria necessário, como obrigação, a iniciação dos preparativos do país para que tudo ocorresse com êxito. Vale lembrar, que antes mesmo da escolha da sede, os candidatos para receber as Olimpíadas são analisados pelo Comitê Olímpico Internacional e já possuem a plena noção do orçamento de mais de 5 bilhões de dólares, que vem em conjunto com outras exigências feitas pelo órgão olímpico, que antes de mais nada visão o bem-estar de todas as federações e previne um país despreparado de se envolver em compromissos inalcançáveis. Ou é o que se espera.
O cenário político, econômico e social brasileiro era diferente em 2009. É fato que o presidente da época não pensaria que o país estaria passando por um processo de impeachment durante o evento, muito menos que o Brasil estaria em uma crise econômica e o Rio de Janeiro, cidade escolhida para a realização das competições, teria grandes problemas em desenvolver e finalizar as obras para algo que só ocorreria sete anos depois da escolha. Pouco se pensaria nas hipóteses pessimistas, que só seriam lembradas pelo governo e população alguns meses antes do início da cerimônia de abertura.

Avaliado como um futuro legado, as Olimpíadas visam muito além de competições. Um de seus grandes valores é a vida. Logo como uma das principais características para avaliação da sede, é o que ficará após o encerramento. O apoio político é necessário e fundamental para o planejamento, visto que são feitos investimentos em saúde, segurança e até com o meio ambiente. Fazendo uma relação com a teoria da Escola Inglesa, Hedley Bull afirma, com base nos pensamentos de Santo Agostinha, que ordem é um conceito relativo, quando é relacionado com metas. Sendo assim, é possível dizer que no caso das Olimpíadas, a ordem ocorreria em caso de excelência na preparação e realização do evento. Para tal, seria necessário a concretização dos três princípios destacados pelo autor.
Em primeiro lugar, a vida. Já destacado pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), o país sede precisa estar preparado para receber todas as federações e necessita ter estrutura para preservar e proteger a vida de atletas e do público. Para isso, deve investir na saúde, segurança, tecnologia, acomodações, etc. A sede de 2016, infelizmente, fracassou no primeiro valor. Apesar do orçamento previsto com tantos anos de antecedência e do valor vindo como acréscimo do órgão, o Brasil não foi capaz de finalizar as obras previstas para o mês de agosto de 2016, fazendo inclusive que federações tivessem que se retirar da Vila Olímpica pelo local não possuir estrutura suficiente para sua estadia. O que prejudicou, ora as federações que necessitaram se deslocar e desembolsar com um lugar para ficar, ora o Brasil que falhou em suas obrigações como sede e com sua reputação internacional.
Imaginando que as Olimpíadas são um evento político, é possível ver que o Brasil ficou em falta com outros Estados que fizeram questão de ressaltar que além da falta de estrutura nas acomodações, possui uma grande deficiência em segurança. O “clube dos mais poderosos” notificou sua população sobre a frequência de assaltos e crimes, para que estivessem preparados ao pisar em solo brasileiro. Sendo isso seguido de uma visão preconceituosa para com a população.
Em um primeiro momento, é possível ver que as Olimpíadas possuem deficiência no primeiro princípio, pois não alcançou a meta de segurar a vida. Apesar disso, até seu encerramento, não ocorreram graves incidentes informados pela mídia do país, que apesar de não transmitir total transparência, não noticiou qualquer tipo de acidente grave. Mesmo assim, o evento inicia avaliado como uma desordem mundial por não respeitar a vida.
O segundo princípio será ligado ao primeiro. O princípio da verdade, de que as promessas sejam cumpridas que é buscado por todas as sociedades. É interessante destacar que o COI se dedica a encontrar Estados que tenham a preocupação de cumprir as promessas feitas na candidatura para sediar o evento olímpico, o que não foi bem-sucedido no Brasil. Em 2009, fora prometido que o país estaria preparado para receber as Olimpíadas em 2016 e os investimentos deveriam ser feitos. Sendo assim, temos um segundo princípio corrompido.
O terceiro poderia ser avaliado de diversas maneiras. O princípio da propriedade pode ser visto de uma forma ampla ou mais reduzida. Pode ser relacionada ao país sede, que foi o responsável pela desordem até então, pode se encaixar nos países que vem representados por federações, que chegam ao país sede para conquistar o maior número de medalhas possível representado seu Estado, em caso de ordem internacional e pode destacar o indivíduo, ou seja, os atletas que buscam, além do reconhecimento por meio de seu Estado, as suas conquistas individuais, ou seja, a vitória por sua dedicação e trabalho de longa duração.
Sendo colocado tanto como representação do Estado ou do indivíduo – o atleta, sendo uma analogia mais correta em caso de Ordem Mundial – o terceiro princípio pode ser visto como alcançado, visto que todos exerceram tal tarefa com êxito. Mesmo dentro de tal cenário, nenhum evento esportivo teve problemas que os interrompessem ou adiassem a luta por sua propriedade. E como uma boa sociedade internacional, mesmo em um ambiente esportivo, os maiores possuem vantagens e são conhecidos como “favoritos”.

Apesar da desordem social causada, o evento teve uma boa repercussão e criou várias desavenças, pois nem todos apreciaram o espetáculo começando com a festa de abertura que apresentou de uma forma sutil a cultura brasileira para quem estava presente. Baseado no conceito de Ordem Mundial de Bull, o evento foi uma total desordem, salvando apenas a batalha individual pela propriedade, ou seja, a gratificação pela dedicação dos que se saíram melhores. Para o Brasil, fica apenas a lembrança e uma aprendizagem para precaver-se em casos de crise em eventos de tal autenticidade.

Mesmo em um caso de desordem mundial, o evento fez sucesso e foi visto por todo o mundo. O legado ficará e o espírito Olímpico está sempre registrado em momentos em que nem a competição e a vontade de ganhar venceu a empatia e a compaixão com o próximo. 

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