A teoria
critica das Relações Internacionais se da inicio por conta de necessidades de
novas perspectivas em analises, criticando o realismo essa teoria é utilizada
no conceito de alienação e ideológico que servia para explicar a atual
sociedade.
O
filosofo e teórico critico Robert W Cox, começa a definir teoria como uma
convenção social e explica para que ela fosse ser usada, mudando seus conceitos
para uma forma mais adaptada no pensamento dele, é claro com base na Escola de
Frankfurt.
Para Robert três tipos de forças eram existentes e poderiam a vir ser
utilizadas para que eternizasse tal ordem por um tempo estimado podendo mudar
ou não; A material tem capacidade produtiva de destruir tecnologias, a de ideia cultura, ideologias e regras sociais, por ultimo instituições que influenciam
diretamente a ação dos atores.
Os três
níveis são formas estatais define o complexo Estado sociedade, ordem mundial
configura força e por ultimo força social relaciona o modo de produção.
Dizia que
aplicava esses três tipos de força, pois era preciso, para que ocorressem as
disputas hegemônicas. O conceito hegemônico vem no período pós-guerra onde
ocorreu a hegemonia britânica. A pax americana acontece por conta da queda do
imperialismo britânico que promove uma nova ordem mundial.
Cabe
mostrar as dimensões teóricas colocadas em pauta por Robert ainda mais por
mostrar que basicamente as teorias possuem um caráter normativo.
A Teoria Crítica surge após o colapso da
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em uma época em que os paradigmas
das Relações Internacionais estão em reconstrução. Foi criada em 1924 na Escola
de Frankfurt com orientação marxista e com críticas ao capitalismo e ao Estado
centralizado e burocratizado da União Soviética pós-revolucionária (em especial
após a ascensão de Stalin). A Escola de Frankfurt consistia em um grupo de
intelectuais que na primeira metade do século passado produzia um pensamento
conhecido como Teoria Crítica. Dentre eles temos Theodor Adorno, Max
Horkheimer, Herbert Marcuse, Jurben Habermas e Walter Benjamim. Eles vão fazer
vários questionamentos como a possibilidade da revolução ser comandada pelas
classes trabalhadoras (visão pessimista quanto a isso, principalmente porque a
superestrutura acaba alienando de tal forma que perde sua emancipação),
ascensão dos fascismos no entre guerras e a indústria cultural.
A teoria crítica das relações
internacionais surge como oposição ao debate neo-realista/neo-liberal. Sua
contribuição gira em torno de uma crítica feroz a concepção realista das RI
como sendo uma política de poder, além disso, questiona a pretensão científica
e o positivismo empregado nas teorias de RI. Para os teóricos críticos, as
teorias tradicionais apresentavam limitações na compreensão e análise das
mudanças presentes na política mundial. Outro aspecto importante é que a teoria
crítica procura incorporar elementos do marxismo como pontos de partida a suas
explicações.
Em seu artigo Social Forces, States and
World Orders: Beyond International Relations Theory, Robert Cox propõe que
"toda teoria é para algo e para alguém”, além de que, todas as teorias
possuem uma perspectiva que é dada através de uma posição social e política em
determinado tempo e espaço, neste sentido, todos os velhos conceitos de uma
teoria devem ser ajustados, rejeitados ou substituídos por novos conceitos. Não
há teoria sem caráter normativo, ao fazer suposições e eleger conceitos a teoria
limita o escopo de análise, ou seja, ela vê somente por uma lente, o que
impossibilita que ela seja neutra. Cox faz uma crítica contundente às teorias
positivas, em especial ao realismo, o qual delimita que os Estados buscam poder
e segurança em um sistema de Estado moldado pelos atores majoritários. Ao
afirmar essas premissas os realistas induzem o comportamento do Estado e
tornam-se teóricos normativos. Ao mesmo tempo, a teoria crítica também é
normativa ao promover a emancipação humana.
Na dimensão explicativa de Cox pode ser
relatada ao tratar as estruturas históricas como um quadro de análises. O autor
propõe que essa análise resulta em uma imagem particular da configuração das
forças em um determinado período, a qual pode ser expressa por três categorias
de forças, as quais agem reciprocamente: ideias (significados intersubjetivos,
imagens coletivas); instituições; e capacidade material (capacidades
tecnológicas e organizacionais, por exemplo, recursos naturais que podem ser
transformados em tecnologia). A relação entre estas três forças são
determinantes para a ascensão de uma ordem alternativa. Esse estudo leva Cox a
definir que a hegemonia não é reduzida somente a dimensão institucional, outros
fatores legitimam a permanência de determinada pax.
Voltando ao caráter normativo, Cox expõe que
o neo-realismo induz os atores a adotarem e entenderem o sistema de estados
através da racionalidade neo-realista (poder/segurança) como guia de ação.
Para Cox, as ideias possuem dois
significados: consistem nos significados intersubjetivos ou noções
compartilhadas da natureza da relação humana e que tende a perpetuar hábitos e
expectativas de comportamento (diplomacia); e as ideias são as imagens
coletivas asseguradas por diferentes grupos de pessoas (justiça).
A teoria crítica de relações internacionais representou um consistente
contraponto ao positivismo das teorias dominantes nesse período, e possibilitou
que abordagens teóricas diferentes pudessem ter suas aspirações, ao menos, colocadas
em debate. Cabe ressaltar as dimensões teóricas colocadas em debate por Cox,
especialmente ao expor que toda teoria possui um caráter normativo, tirando o
rótulo de neutralidade das teorias positivas.
Neste texto Cox apresenta como ao longo do desenvolvimento da disciplina das Relações Internacionais vem se enfrentando as distintas percepções sobre o Estado e a sociedade civil. O texto mantém um aspecto critico, inicialmente inspirado no marxismo, mais adiante nos conceitos de hegemonía e contra hegemonia e, logo, a través das teorias do sistema mundo, serve para retomar a relevância do poder material na analise dos procesos de criação das novas ordens mundias.
Cox propõe à diferenciação ideologica, teórica e pratica entre a Pax británica e a Pax americana como procesos históricos específicos, ciradores de distintas estruturas socias, políticas e econômicas. Além, enfatiza as diversas práticas de internacionalização da produção através de seus diversos canais como, agências estatais, interestatais, corporações multinacionais, e instituições internacionais, entre outros mais, para assim gerar as estruturas bases que vão gerar e compor as forças de poder a finais do século XX.
A
Teoria Crítica surgiu após o declínio da URSS com intuito de ampliar a visão de
estudo das Relações Internacionais que antes era limitada à questão da
segurança. Essa teoria serviu como alternativa às teorias positivistas, ou
seja, ela discorda de bases positivistas, não acredita que a estrutura social e
política são dadas, mas que os homens criam, traçam e constituem o mundo em que
vivem, seja ele em âmbito nacional ou internacional. Ela não busca somente
explicar os acontecimentos, como as teorias tradicionais fazem, mas preocupa-se
em relação à possibilidade de mudança e transformação da ordem, em mudar a
realidade.
Um
dos teóricos mais importantes dessa teoria pós-positivista é Robert Cox
(1981-1996), esse faz uma crítica ao realismo adquirindo pensamentos de
esquerda, marxistas. Podemos perceber isso no conceito do materialismo histórico
utilizado para superar o realismo e suas contradições. Permite incluir a
sociedade civil como um ator relevante, pois Cox acredita que não se deve focar
somente nas relações hierárquicas entre Estados, mas deve-se incluir a
sociedade como ator determinante. Os teóricos críticos buscam,portanto, acabar com
a opressão de estruturas políticas e econômicas mundiais sobre as minorias, buscam
acabar com a desigualdade e a dominação dos ricos sobre os pobres.
Ele
acredita que existem três tipos de forças: capacidades materiais que
correspondem a recursos naturais, tecnologia e armamentos; idéias que são
subdivididas em intersubjetivas que ajudam a legitimar o mundo como ele é e em
coletivas, ou seja, visões de diversos grupos sociais; e instituições que
servem para estabilizar uma ordem dominante.
Essas
três possuem três níveis de atuação: as forças sociais que influenciam o modo e
processo de produção; as formas de estados, derivadas do complexo sociedade/estado;
e as ordens mundiais que definem as configurações de força em nível
internacional. Portanto, para Cox, a compreensão do mundo como ele é só pode
ser realizada através do estudo desses três tipos de forças e através desses
três níveis de análise.
O
conceito de hegemonia explicado por Cox, baseado em escritos de Antonio Gramsci,
pode ser exemplificado pela hegemonia histórica da Grã-Bretanha e dos Estados
Unidos. No início do século XX o imperialismo britânico decaiu e perdeu sua
posição hegemônica, substituída futuramente, após a Segunda Guerra Mundial,
pelos Estados Unidos. Esses últimos, finalmente, abandonaram o isolacionismo norte-americano,
tomaram proveito da situação de enfraquecimento e vulnerabilidade européia e
japonesa e utilizaram esse período para criar uma economia mundial liberal reformada,
assumindo a responsabilidade hegemônica.
Essa
hegemonia baseou-se no livre comercio, texto ideológico de aumento da
produtividade, formação de instituições e organizações internacionais (Banco
Mundial, FMI, GATT, ONU), sistema Bretton Woods, exportação da cultura e ideais
americanos para a periferia, propagandas (Ware Fare State, Plano Marshall, The
Good Neighbor Policy) e envolvimento americano em questões internas de países latino-americanos.
O texto a
seguir é uma resenha crítica ao filme Brigde of Spies que utiliza como base
teórica fundamentadora a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt.
Nota:
Este texto pode conter spoilers.
Brigde os
Spies (em português, Ponte dos Espiões) é o último filme dirigido e produzido
por Steven Spielberg, e protagonizado por Tom Hanks, que trata sobre alguns acontecimentos
durante a Guerra Fria, em uma visão americana, vividos pelo personagem
principal e é baseado no livro com o mesmo nome de Giles Whittell.
O filme inicia
quando Rudolf Abel, um espião soviético, é descoberto e preso, e James B.
Donovan (nosso querido personagem principal), um advogado que trabalha na área
de seguros, é convocado para defendê-lo. Aqui vai um destaque para o personagem
principal que mostrou sua grande coragem ao aceitar um trabalho que muitos, se
não todos, patriotas diriam não por diversos motivos. O país se encontrava na
regularização do capitalismo onde a população já era incentivada a acreditar e
defender a ordem mundial que os Estados Unidos pregavam, ou seja, um espião
soviético era um cruel inimigo e o mínimo que deveria acontecer no tribunal era
o culpado sair com a corda no pescoço, independente do que estivesse previsto
em sua Constituição.
Ao momento que
o advogado de seguros aceita tal trabalho, ele se coloca completamente contra
seu próprio país e provoca uma série de revoltas tanto nas autoridades como em
civis que acreditam que tal atitude provoca a paz americana. Isso retrata um
homem que em primeiro momento parece não saber o que está. Ao contrário do que
é pensado pelos civis, James B. Donovan inicia aí sua postura diplomática,
visionária e até considerada utópica. Ao analisar o cenário, ele logo vê que
matar aquele homem é jogar uma moeda de troca fora, o que não se deveria
acontecer. E ao entrar mais afundo no caso, James consegue ter um aprofundamento
das reais condições que a tal guerra proporciona.
Após o
julgamento e condenação, há uma total revolta. James passa a sentir em sua pele
a força social atuando na população, que para sua sorte não duraria muito
tempo, visto que ocorreria a seguir exatamente o que sua previsão afirmava: a
prisão de um soldado americano no lado soviético e o início de negociações
entre os dois lados por uma troca simultânea dos prisioneiros. É interessante
ver que o filme mostra seu lado tendencioso a partir dessa parte. A retratação
de como eram mantidos os prisioneiros de guerra por ambos os lados parece falho
e faz os Estados Unidos parecer um completo anjo na forma de tratar o inimigo.
Boas estruturas, delicadeza ao negociar informações e muita paciência no
tratamento de seu preso, diferente das torturas e da forma ríspida (sendo
generosa) soviética de tentar arrancar dados sobre a capacidade material
americana. Aliás, soviéticos parecem ser tratados como ignorantes quando se
trata de avanços bélicos, visto que todos os dias torturam seu preso para saber
como funcionava e era produzido o avião que ele pilotava.
Além de
ignorantes, bárbaros e ditadores (como é representado na imagem do julgamento)
é possível ver nas cenas do Muro de Berlim como seu lado é muito mais “negro”
que o americano, o que parece ser notável na cena em que homens são baleados ao
tentar atravessar o murro que é fortemente protegido. Apesar de
todos os contras, James prossegue firme na sua aplicação da “solução de
problemas” e utiliza das forças determinantes, defendidas por Cox,
estadunidenses para conseguir resolver tal negociação.
Por consequência, o filme mostra que a indústria do entretenimento americano nunca superou
a Guerra Fria. A propaganda de sua cultura continua e segue na propagação que
utiliza das forças em seus três níveis de atuação. Um filme de Spielberg, que
gera expectativas por nome e filmografia, ficou só no nome e na propaganda
ideológica do que os Estados Unidos até hoje pregam.
A teoria crítica das RIs surgiu num período em que se havia
uma necessidade de buscar perspectivas que ampliassem os temas de análise,
ultrapassando os conceitos de segurança e da política externa.
Essa teoria realiza uma crítica ao realismo (que associa ao
objeto de análise um caráter imutável) e utiliza conceitos marxistas, como o da
alienação e da ideologia, para explicar os desafios da atual sociedade.
Os estudos dos filósofos da Escola de Frankfurt (surgida em
1924 na Universidade de Frankfurt) passaram a ser conhecidos como Teoria
Crítica.
Um desses teóricos é Robert W. Cox, que adaptou o conceito
de escola crítica da Escola de Frankfurt e que passou a definir teoria como uma
convenção social (usada para explicar os fatos de tempo e espaço), não mais
como um modelo absoluto, aplicável universalmente. Para ele existem 2 tipos de
teoria: teoria de solução de problemas (se pretendem neutras e universais) e as
teorias críticas (caráter parcial, foco mais normativo).
Cox acredita que existam 3 tipos de força que podem ser
usadas para perpetuar determinada ordem por um período de tempo, podendo ser
alteradas: capacidades materiais (capacidades produtivas, de destruição, a
tecnologia, etc); ideias (cultura, regras sociais, ideologias); instituições
(influenciam diretamente a ação dos atores). Para ele, é preciso aplicar esses
três tipos de força das estruturas históricas a três níveis de atividade que
caracterizam as relações internacionais e onde ocorrerão as disputas pela
hegemonia. Os três níveis são: as forças sociais (relacionada ao modo de
produção); formas estatais (define o complexo Estado/sociedade civil); ordens
mundiais (configurações de força).
É possível aplicar esse conceito de hegemonia no período
pós-guerra, no qual ocorreu o declínio da hegemonia britânica através,
principalmente, dos processos de libertação nacional. A queda do imperialismo
britânico promove a ascensão de uma nova ordem mundial: a pax americana.
A pax americana se propaga por meio do consenso em torno do
projeto de potência norte-americano, que conseguiu adeptos nos países que não
se associaram à URSS. A influência americana e sua internacionalização se
asseguraram através de uma série de aparatos, dentre eles: a criação de
mecanismos financeiros de dominação (como o FMI, Banco Mundial); surgimento da
ONU e de outras organizações internacionais; a bem-sucedida missão de
exportação da cultura americana (filmes, literatura, moda, etc), entre outros.
Além disso, no contexto da Guerra Fria, os EUA prosseguiram na
sua função de propagar o ideal capitalista e da democracia liberal a outros
lugares do mundo. Este compromisso gerou uma série de intervenções americanas
nos países da América Latina, principalmente entre os anos 1960 e 1980,
marcadas pelo apoio e financiamento a golpes de Estado e ditaduras, como a de
Pinochet, no Chile.
Assim, é possível perceber que a dinâmica das categorias de
força consegue se propagar fora dos limites territoriais de um Estado, sendo
capaz de redefinir a hegemonia e as características estruturais das ordens
mundiais.
Durante a Guerra Fria o mundo era
dividido entre duas potências: de um lado, tínhamos os Estados Unidos e o
capitalismo; do outro, a União Soviética e o socialismo. Principalmente no
Leste Europeu, a hegemonia era da URSS.
Para Gramsci, hegemonia é a
capacidade que um grupo social tem de unificar em torno de seus interesses
políticos outros grupos sociais, mantendo assim seu status quo. Essa dominação se dá não só através de elementos coercitivos,
mas de elementos subjetivos e culturais.
Uma das formas mais poderosas de
se agregar um povo em torno de um objetivo é criar um inimigo comum, e a URSS
(assim como os EUA) se valeu bastante de propaganda para atingir esse objetivo.
Além disso, a propaganda também era
usada para disseminar ideais socialistas para a população, não só de como o
socialismo era superior ao capitalismo cruel e perigoso, mas também
incentivando o povo a trabalhar e defender o regime.
1984, ‘Mito e
realidade’
1962 ‘Vigilância –
nossa arma!’
Na indústria cultural, a linha
entre entretenimento e propaganda era praticamente inexistente.
No cinema, bastante frequentado
pela população, os filmes produzidos na URSS eram principalmente dos gêneros
comédia e ação (gêneros como terror e distopias só passaram a ser produzidos depois
da Perestroica) sem deixar de ter um viés ideológico alinhado com o
materialismo dialético marxista. Porém, como sua produção cinematográfica não
foi muito ampla, vários filmes de países aliados, como Índia, Coréia e Romênia,
eram exibidos nas salas de cinema após passarem por um filtro governamental que
definia se eram ideologicamente apropriados.
No rádio, a principal estação era
a Rádio Central de Moscou, fundada em 1922, que transmitia internacionalmente
propagandas ideológicas socialistas brancas (aquelas que tem sua fonte
corretamente identificada).
Na literatura, a regra também era
propagar os ideais governamentais. A censura aumentou nos anos 70 e aqueles autores
que se opuseram ao regime foram proibidos de publicar seus livros; alguns
tiveram até de fugir do país. Nem os livros infantis eram livres de propaganda:
um dos autores mais famosos da época, Arkady Gaidar, escreveu o livro ‘Timur
and His Squad’, que tinha como protagonista Timur, um membro do grupo Jovens
Pioneiros que arrumou um jeito para crianças ajudarem o exército.
A Teoria Crítica leva em conta o
contexto histórico ao fazer sua análise e, apesar de quase sempre nos focarmos na
visão daquele que venceu a disputa analisada – no caso os Estados Unidos e o
capitalismo –, é importante ver que a mesma dominação ideológica exercida por
eles em sua área de influência foi exercida por seu oposto.