sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Pan-africanismo em uma perspectiva marxista - Julia Guimarães de Oliveira
A teoria marxista nas relações internacionais faz referência a uma visão determinista, com um enfoque realista nas questões; da estrutura econômica e social, que faz alusão ao nível de forças de produção e de certos grupos sociais que neles se enquadram; e também, a relacionando com a superestrutura política, na qual se enquadra a conjuntura do movimento operário e partidos liberais ou socialistas; as superestruturas ideológicas, nas quais se encaixam os valores coletivos e ideais compartilhados, e por fim, á conjuntura histórica. Tendo em vista as questões acima destacadas, Marx pode observar que a infraestrutura era, de certo modo, determinada pela força de trabalho, ou seja, pelos proletariados explorados, neles caberiam a base real da estrutura capitalista, já que estes determinariam as relações de produção. Em segunda instância Marx observara que o Estado se edificaria como forma de dominação dos meios produtores em virtude da superestrutura, a qual advém da própria luta de classes. Em outras palavras, representaria os níveis de dominação ideológica da classe dominante que se ergue sobre a infraestrutura. Em meio a exploração dos proletários, cria-se um sentimento de nação o qual fará com que os proletários "comprem as brigas da burguesia para si" em meio a uma ilusão alienatória imposta pelos dominantes. É possível analisar o movimento pan-africanista em uma perspectiva marxista em principio na partilha africana e pela dominação imposta pelos Estados da Inglaterra, Portugal, França e Estados Unidos. A dominação cultural imposta pelas demais potências, viriam de forma a serem seguidas, como uma justificativa de uma exploração em detrimento á submissão das colônias, a implementação da ideia eurocentrista dos meios de produção como vias de interesses ligados as metrópoles.Vale ressaltar que já nesta época a escravidão, modelo resultante do colonialismo, passa a imagem de coisificação do escravo em detrimento aos meios de produção, subordinados a um processo do capitalismo mercantil. Ponto em que o africano passou a ser visto não mais como "humano", e sim, resultara uma relação de "coisificação" do negro, advindo do processo escravista em detrimento ao mercantilismo exploratório. A partir disto, várias analogias puderam ser observadas, tanto Marx argumenta que, "negro só é escravo em determinadas circunstâncias", tais como quando a questão racial mais tarde passa a ter um peso maior quando a desvalorização do negro é vista como motivo de se tirar "vantagem" pela burguesia do proletariado. Franz Fanon também completa que, "o negro só é negro em certas situações", sendo assim, como já Marx aponta, a questão racial só pode ser social. O racismo científico, como denominado no séc. 19 devido ao emergir do contexto de desigualdades advindo da Europa, junto da pobreza, teve denominação de "tendência biológica", devido a isto, a ideia de raça,e então a desigualdade também em relação ao europeu. Sendo assim, houve enfase no estudo do darwinismo social para se explicar tais desigualdades. Mesmo no séc. 19 com o fim da escravidão e com a problemática da entrada dos negros no mercado de trabalho, advinda da visão burguesa "científica" de que os negros seriam menos aptos biologicamente para o trabalho; e com o início do pan-africanismo surgido nos EUA como um movimento imigracionista para Libéria, a desigualdade descancarada e a primazia do poder das antigas metrópoles ainda assim exerciam um artifício dominador sobre os negros, em visão marxista, também proletários explorados. Mao Tse Tung uma vez apontou que "o racismo é um subproduto da luta de classes" como criação do capitalismo, sendo assim, como lidar? Seria então melhor acabar com a criação do capitalismo ou então com o racismo, mesmo tendo em vista que estão de certa forma interligadas?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário